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Giuliano Bianchi Paisagens opacas A descoberta da encáustica resultou em uma inflexão decisiva na trajetória de Giuliano Bianchi. Pelo fato de ser resistente a uma gestualidade fácil, a encáustica obrigou Giuliano a assumir o rigor do método na confecção de suas obras. Ao invés de se deixar levar por uma espontaneidade aparentemente livre, Bianchi aos poucos se dá conta que a construção da imagem na pintura contemporânea muitas vezes se faz de maneira problemática e incerta. Após Monet e Cézanne, a pintura da paisagem se torna um evento calcado na experiência do sujeito e o compromisso com a representação realista se torna cada vez mais distante. Giuliano aceitou este desafio, abandonou o capacete de engenheiro, e, ao invés de usar a boina e o cavalete, passou a investigar os meios contemporâneos de reprodução de imagem. As paisagens bucólicas da Bahia ou da Itália deram lugar a Avenida Paulista, lugar pouco propenso a contemplação. Não é possível para o observador estabelecer um ponto de fuga em um lugar de circulação contínua, notório por começar no Paraíso e acabar na rua da Consolação. Reproduções fotográficas da Paulista são impressas no papel de arroz- recobertas pela encáustica, a paisagem se torna opaca, remete a um olhar turvo, que não tem mais a nitidez perspectiva. Uma paisagem interior aos poucos transparece. Pois, se um projeto urbanista para São Paulo se torna um sonho cada vez mais distante, ao olhar para estas pinturas podemos pelo menos vislumbrar outras paisagens. Marco Giannotti
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