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Drika Moto, Fábio de Souza, Gustavo Bassi, Juliana Rego, Mara Chaves e Sylvio do Amaral Rocha
As idéias iniciais para o curso Processos em arte e cultura contemporânea surgiram da leitura de textos de John Cage. Entre outras questões, o músico e pensador norte-americano falava da necessidade de uma atitude que “pudesse incluir o que sabemos com o que ainda não imaginamos”1 , e das possibilidades para uma transição, no campo da produção artística, da esfera do objeto para a dos processos. É difícil avaliar o grau de desapego atingido no decorrer dos encontros diante de concepções reconhecidas de ensino de arte. Ainda assim, na prática, outras leituras confirmaram proposições que, no contexto mais específico das artes plásticas, por exemplo, estavam fora do campo bi e tridimensional, e contribuíram para se pensar deslocamentos em relação a parâmetros tradicionais de obra. Em geral, uma inclinação para o humor também foi fundamental para a manutenção de um ambiente em que se pôde ver criticamente o que “já se conhecia” e não abortar possibilidades “fronteiriças”, entre as linguagens, por considerá-las inconsistentes por princípio. Realizações no campo da pintura e escultura foram contempladas, bem como situações realmente imprevistas que, de outra maneira, passariam como algo sem sentido ou até mesmo constrangedor. Ademais, propostas apareceram sem que se soubesse o autor e, em outros momentos de disponibilidade ainda maior, pessoas integraram o grupo por engano e trouxeram jóias - literalmente - para as discussões. Seria possível dizer que nessa exposição coletiva há uma contrapartida palpável para o sentido amplo do verbo “imaginar” contido na citação inicial de Cage. O conjunto exposto afirma uma visualidade pela cor, pelo desenho e pelo próprio objeto, seja por meio da apropriação, produção de peças originais, do uso da fotografia como suporte para o registro de ações, ou aproveitamento das condições mais específicas do local de exposição. A partir daí, talvez só a resposta do público possa dizer se os trabalhos trazem algo de quando simplesmente aconteceram como idéias, textos semi-ficcionais, eventos entre muitos outros. (1) John Cage, “O Futuro da Música [1974]”, em Escritos de Artistas - Anos 60/70. Glória Ferreira e Cecilia Cotrim (Orgs.) Rio de Janeiro, Jorge Zahar Editor, 2006, p. 333 Rafael Vogt Maia Rosa 





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